Realizado no último fim de semana, em João Pessoa, o Simpósio Nacional de Futebol de Rua reuniu especialistas, educadores e representantes de instituições sociais para discutir o papel do esporte como ferramenta de transformação social. O evento consolidou-se como um espaço de troca de experiências e fortalecimento de iniciativas voltadas à inclusão e cidadania.
Promovido pelo Instituto Futebol de Rua, o encontro contou com palestras, rodas de conversa e atividades práticas, reunindo participantes de diferentes regiões do país.
O presidente do Instituto Futebol de Rua, Alceu Campos, destacou a importância do evento para ampliar o alcance da metodologia. “O esporte não é um prêmio para quem já tem tudo. O esporte é um direito. E mais do que um direito, é uma linguagem que atravessa classe social, raça, gênero, deficiência, territórios e conflitos. Neste simpósio, nos reunimos para ir além dessa convicção. Viemos para transformá-la em ciência, em política pública, em metodologia replicável. Viemos para fazer perguntas difíceis: o que funciona? O que precisa mudar? Como escalamos o que é bom sem perder a alma do que criamos? Os números são bonitos, 20 anos, milhares de crianças e jovens impactados, centenas de cidades atendidas, mas o mais importante nunca cabe em uma planilha.”
Já o coordenador do Instituto, Saimon Avellino, ressaltou o impacto direto das ações desenvolvidas nas comunidades. “É uma felicidade nossa ver e participar da comemoração dos 20 anos do Instituto Futebol de Rua. Ver que desde 2006, passando por 2015 e chegando a 2025, o tanto que o futebol de rua cresceu em todos os aspectos: de números, com mais de 130 núcleos e 14 mil pessoas atendidas semanalmente, de história, de vivência, de convivência e de qualidade do trabalho. E saber que, mesmo com 20 anos, nós ainda estamos preocupados em crescer e em melhorar cada vez mais o impacto direto na vida das crianças e jovens das comunidades.”
O procurador do Instituto, Theodan Cardoso, também enfatizou o papel institucional e a relevância das parcerias para a continuidade do projeto. “Foi o primeiro projeto que chegou querendo trabalhar, fazer algo pelas crianças do município. Não pedia nada, só dizia: ‘deixe, abre espaço pra gente trabalhar, abre espaço pra gente mostrar o nosso trabalho e cuidar dessas crianças junto com vocês’. Iniciou-se uma parceria totalmente institucional que só cresceu. Depois de dois anos, inaugurando um novo núcleo, o Alceu olhou pra mim e disse que estavam pensando em colocar a sede do Nordeste em João Pessoa. Me sinto muito honrado pela confiança depositada pelo Alceu e por todo o instituto para conduzir esse trabalho da melhor forma possível, sempre colocando as crianças em primeiro lugar.”
Um dos palestrantes do simpósio, o professor João Freire, trouxe reflexões sobre educação, esporte e desenvolvimento humano. “Qualquer pessoa que se preparou minimamente, estudando a infância e a criança, conclui com extrema facilidade que a criança não é para ser tratada do jeito que está sendo tratada no esporte hoje. Estamos recebendo notícias de famílias fazendo contratos com empresários para crianças de 5, 6, 7, 8, 9, 10 anos de idade. Quem estudou sabe que não há garantia nenhuma de que uma criança talentosa nessa idade venha a ser um grande jogador. O futebol de rua surge exatamente como uma alternativa educativa, celebrando a infância e usando o esporte como ferramenta poderosa de formação humana, e não de exploração.”
De acordo com Thiago Filla, organizador do simpósio, o evento superou as expectativas e reforçou a necessidade de ampliar o debate sobre políticas públicas e iniciativas sociais ligadas ao esporte. “O simpósio superou todas as nossas expectativas. Reunimos pessoas de várias regiões do Brasil e conseguimos avançar em discussões profundas sobre o papel do esporte na transformação social. Este evento reforça a urgência de ampliarmos o debate sobre políticas públicas para o esporte de base e socioeducativo, criando mais oportunidades e garantindo que iniciativas como o Futebol de Rua possam chegar a ainda mais crianças e jovens em todo o país.”
Além das discussões teóricas, o simpósio também promoveu vivências práticas da metodologia do Futebol de Rua, destacando valores como respeito, cooperação e protagonismo dos participantes.
O evento encerrou com avaliação positiva dos organizadores e participantes, apontando para a continuidade das ações e fortalecimento da rede de iniciativas voltadas ao esporte social no Brasil.
























