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Festival Museu Nacional Vive leva público à Quinta da Boa Vista

Redação 01 by Redação 01
3 de setembro de 2023
in Brasil
Festival Museu Nacional Vive leva público à Quinta da Boa Vista


Com informações da Agência Brasil

O Museu Nacional Vive! Foi o que se pôde comprovar pelo movimento de visitantes neste domingo (3) na edição de 2023 do festival que marca cinco anos de reconstrução do espaço cultural depois do incêndio em 2018, que consumiu parte significativa do acervo e atingiu o prédio da sede do museu, dentro da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro.

O público se espalhou pelas tendas montadas na Alameda das Sapucaias, que fica em frente ao Paço São Cristóvão, sede do museu, para acompanhar as apresentações artísticas e as atividades educativas relacionadas à ciência, cultura e gastronomia. Estavam expostos para incentivar a criatividade tanto das crianças, quanto dos adultos com as peças do acervo da instituição, incluindo fósseis, pedras e plantas. “Temos desde pessoas falando de jogos de questões literárias até mesmo mostrando a paleontologia e os fósseis da Antártica. Já posso antecipar que a gente vai fazer isso mais vezes”, afirmou o diretor do museu, o professor e paleontólogo Alexander Kellner, em entrevista à Agência Brasil.

Alexander Kellner comemorou o dia de sol, sem chuvas, o que ajudou a ter um público relevante. Ele destacou que os visitantes podiam se informar também sobre o que está sendo realizado para a recuperação do museu. “Temos uma barraquinha especial aqui para as pessoas se informarem como estão andando os trabalhos de reconstrução, quanto dinheiro precisa, o que a gente já tem, quais são as dificuldades e as coisas positivas. O tempo ajudou demais, um dia lindo e maravilhoso e nesse sentido estamos muito felizes”, contou.

Rio de Janeiro (RJ), 03/09/2023 - Festival Museu Nacional Vive promove atividades educativas e mostra etapas da reconstrução, cinco anos após o incêndio, na Quinta da Boa Vista. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Festival Museu Nacional Vive promove atividades educativas e mostra etapas da reconstrução após incêndio – Fernando Frazão/Agência Brasil

“O conhecimento é fundamental. Nós queremos ser um museu de história natural e antropologia sustentável inclusivo que promova o diálogo e com o olhar da ciência leve as pessoas a refletir sobre o mundo que nos cerca ao mesmo tempo que nos leve a sonhar”, completou o diretor.

A assistente social Daiana Ruffoni, de 40 anos, levou a filha Júlia, de 5 anos, que pela primeira vez estava tendo contato com as peças do acervo do museu. Daiana quer que a filha tenha a experiência que teve quando visitava o local. “Eu frequentei na minha infância e na adolescência. Tenho foto dentro do museu com as minhas primas, a minha irmã, e infelizmente a minha filha ainda não pôde conhecer. Acho que ela está gostando bastante. É uma oportunidade de a criança ter acesso a este tipo de conhecimento, que, no dia a dia, não tem, e principalmente fazer uma atividade diferente e fora das telas que hoje em dia as crianças ficam tanto tempo. Estar ao ar livre e ter um conhecimento diferenciado, ela está gostando”, disse. A filha Júlia contou que gostou mais de ver os fósseis de peixes e que quer visitar o museu quando ele for reaberto.

A bancária Lísia Silveira, de 45 anos, levou os filhos gêmeos Pedro e João, de 8 anos ao festival. Ela contou que eles gostam muito de ciência e que não quis perder a oportunidade de levá-los ao evento. “Eles estão curtindo muito. Esse aqui gosta muito de animais e está se realizando. O outro gosta mais de livros, mas também está aproveitando. Eu costumava frequentar, mas eles não, porque eram pequenininhos quando o museu pegou fogo”, comentou.

Lísia lembrou que guarda memórias do museu e disse que pretende passar isso para os filhos. “Já falei para eles que na minha memória mais viva tinha múmias e um esqueleto enorme que eles iam ficar loucos de ver. Uma pena que eles não puderam ver”, afirmou, acrescentando que, depois da reabertura, vai voltar ao museu. ”Com certeza vamos vir. Era uma dor dos meus filhos não poderem ter acesso ao que eu tive quando criança.”

“As famílias estão de volta ao museu e anotem, ano que vem, em 6 de junho, quando o museu completar 206 anos, nós vamos abrir um pequeno cantinho em que as pessoas vão poder entrar no museu e ver como estamos cuidando dele, inclusive tem uma escadaria na parte central com uma baleia pendurada por cima” revelou Alexander Kellner, acrescentando que nesse espaço o público vai poder ver algumas peças importantes do acervo como o meteorito e o manto tupinambá prometido para uma doação ao museu.

Rio de Janeiro (RJ), 03/09/2023 - Festival Museu Nacional Vive promove atividades educativas e mostra etapas da reconstrução, cinco anos após o incêndio, na Quinta da Boa Vista. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Visitantes aproveitaram o domingo ensolarado para prestigiar o Festival Museu Nacional Vive – Fernando Frazão/Agência Brasil

A abertura total do Museu Nacional está prevista para abril de 2026, quando será retomada a visitação ao bloco histórico todo, assim como aos blocos 2 e 3. Kellner agradeceu o apoio que o museu vem recebendo do governo federal. “Agradecer o novo olhar deste governo que entrou para com o Museu Nacional, porque nós vivemos situações complexas com o governo anterior. Estamos muito felizes com esse carinho que estamos tendo do governo federal, em especial, do Ministério da Educação”, pontuou.

Para o diretor, esse encontro do público com os especialistas amplia o diálogo que o museu quer ter como marca. “Tem sido um grande desafio de como a gente pode aumentar esse diálogo, inclusive nas nossas exposições. É algo que está em nosso horizonte e precisamos saber do público como gostaria de dialogar com o Museu Nacional. Uma das ideias que estamos pensando é dar a chance de o público visitar o museu, sugerir qual é a próxima exposição temporária. A maneira de fazer ainda estamos pensando, mas uma possibilidade é oferecer cinco possibilidades com uma sexta opção para a pessoa escolher e depois chamar algumas pessoas da [ideia] escolhida para participar da curadoria da exposição. É realmente a ideia de incluir as pessoas”, adiantou.

Atividades culturais

A programação do festival teve ainda apresentação da Companhia Folclórica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com danças típicas do estado. Professora da Escola de Educação Física e Desportos da UFRJ, Eleonora Gabriel destacou que há 36 anos a instituição desenvolve pesquisas na área de cultura popular, sobretudo as manifestações artísticas como a dança, música e artes plásticas. As pesquisas são desenvolvidas também em outros estados do país. “Hoje a gente apresentou uma parte das danças típicas do Rio de Janeiro, o Boi Pintadinho, o Mineiro Pau de Santo Antônio de Pádua, os Cirandeiros de Paraty e o Jongo da Serrinha”, relatou.

Rio de Janeiro (RJ), 03/09/2023 - Apresentação da Companhia Folclórica do Rio - UFRJ no Festival Museu Nacional Vive, cinco anos após o incêndio, na Quinta da Boa Vista. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apresentação da Companhia Folclórica do Rio – UFRJ no Festival Museu Nacional Vive – Fernando Frazão/Agência Brasil

Karajá

Além disso, em uma roda de conversa, os visitantes receberam informações da cultura do povo Iny Karajá. O líder indígena Sokrone Karajá estava presente. Na sexta-feira passada, o museu ganhou peças dessa etnia para incluir no acervo. “O museu não está morrendo. O museu está vivo. Eu não fiz doação. Eu fiz um presente para o museu”, destacou Sokrone Karajá, ressaltando que os objetos entregues à instituição têm grande importância para ele.

Rio de Janeiro (RJ), 03/09/2023 - Conversa com os indígenas Sokrowé Karajá e Ixyse Karajá, da Ilha do Bananal, em Tocantins, no Festival Museu Nacional Vive, na Quinta da Boa Vista Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Conversa com os indígenas Sokrone Karajá e Ixyse Karajá no Festival Museu Nacional Vive – Fernando Frazão/Agência Brasil

“O museu não perdeu as peças indígenas. O museu está reconstruindo as peças com os indígenas. É um museu construído com os indígenas”, disse o professor titular do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) do Museu Nacional João Pacheco de Oliveira.


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